Arquivo da categoria: Sociedade

San Francisco vs. New York

Duas grandes cidades, duas personalidades distintas.

http://www.huffingtonpost.com/sarah-cooper/the-difference-between-living-in-new-york-and-san-francisco_b_7184874.html

Paris e New York — a comparação

Paris versus New York: a tally of two cities. Criado por Vahram Muratyan, este blog/livro é certamente perspicaz e bem realizado. No entanto, ele apresenta um olhar um tanto pretensioso e afetado, decididamente ajustado para agradar aos “modernos”, e excessivamente orientado para temas de moda. Mas é divertido mesmo assim. Vale uma olhada atenta para tentar ‘pescar’ as conexões e as ironias, às vezes não tão óbvias.

Confira a íntegra aqui.

Calça rasgada de tanto cair e sapato furado de tanto andar

Um caro colega — físico teórico, professor, pesquisador, orientador em uma universidade federal — escreve sobre a sua visão das questões de mobilidade urbana, e compartilha, em seu blog, suas experiências e reflexões como pedestre e como usuário de transporte público na região metropolitana de São Paulo:

Calça rasgada de tanto cair e sapato furado de tanto andar – Crônicas de um deficiente usuário do transporte público da região metropolitana de São Paulo

http://andantecompolio.blogspot.com.br/

Não saia mais de Moema?!?!?!

Não posso deixar de pensar no quanto uma recente campanha publicitária que está sendo veiculada, de algo que se denomina “Moema Tem”, coloca valores que são completamente opostos ao espírito de busca da cidadania-na-cidade — defendido por este blog — espirito que, a propósito, vem se manifestando fortemente na atual onda de mobilização popular. São vários spots, divulgados massivamente já faz algum tempo no rádio (ouvi na Band news fm, mas pode estar em outras). Quando ouvi o primeiro, pensei ter ouvido mal, ou no mínimo esperaria que o absurdo fosse corrigido nos próximos. Mas outros spots vieram, e todos terminando invariavelmente com a frase: “Acesse — e não saia mais de Moema!“. Você, leitor/a, talvez já tenha ouvido a moça cantando e terminando com essa frase.

Ora, essa é uma maneira terrível de pensar. Ela remete a uma visão de cidade, de espaço urbano, de vida, que contribui para o círculo vicioso trerrível em que se encontra São Paulo. A mensagem que está sendo passada por eles é, mais ou menos, esta:

Vamos, isole-se. Fique ilhado, no seu vale encantado, no pedacinho de Bélgica encravado dentro de São Paulo, moderno e descolado, todo com ar condicionado, blindado por sistemas de segurança. E aí não vai precisar sair e ter contato com essa gente feia e pobre que está em volta, nessa cidade feia, nessa enorme Índia que constitui grande parte da cidade, que, infelizmente — ora, que desagradável! — não é toda igual ao seu bairro. Porque você não precisa da cidade, você só precisa de Moema (e talvez do aeroporto). O resto da cidade que se lasque. Você não precisa viver a cidade. Isole-se, que você vai viver melhor!

Claro que os autores dessa aberração provavelmente irão responder que o problema que têm em mente é o trânsito, etc. Mas, conhecendo a maneira de pensar da maior parte das elites paulistanas, penso que minha hipótese interpretativa não está muito longe da verdade. Elites essas que, seja por ação, seja por omissão, deixaram enormes regiões da cidade virarem terra de ninguém, um imenso corredor de passagem, abandonado e deteriorado, que serve apenas para separar o condomínio fechado do shopping center.

Muitas elites não gostam da cidade como um todo, desejam manter o espaço urbano segregado, com os pobres devidamente relegados ao “seu lugar”. Assim, grandes regiões se deterioram, por descaso do poder público, somado às pressões do capital imobiliário — que viola de todas as maneiras as regiões não regulamentadas, e força o governo a concentrar os recursos nas regiões ditas “nobres” — ao que se soma, finalmente, à falta de conscientização e organização dos moradores. Aí, as elites completam o círculo vicioso; dizem: “agora é que não quero mesmo ter mais nada a ver com aquilo ali! É feio, sujo, perigoso, tem enchente, não tem nada ‘legal’ para comprar, não tem lugares ‘legais’ para ir…”

E a deterioração torna-se irreversível…

Leitor/a, faça o contrário do que diz a campanha publicitária. Saia de Moema. Viva a cidade. Interaja com a cidade. Defenda a cidade. Cuide da cidade. Você é acima de tudo paulistano(a), brasileiro(a)!

(P.S. É claro que gosto do meu bairro, vejo qualidades nele. Claro que existem lugares e regiões e trajetos dispostos ao longo da cidade que me agradam particularmente. Mas não vejo a vida no bairro, a fruição do bairro, como incompatível com o cuidar da cidade como um todo. Além disso, gosto de garimpar e descobrir lugares inesperados e surpeeendentes fora da minha região.)

Raquel Rolnik: as manifestações e o direito à cidade

Comentário de Raquel Rolnik (já de há muito respeitada por este blog) sobre as manifestações:

http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/06/14/em-torno-do-direito-de-ir-e-vir-existe-dialogo-em-sp/#comments

Dia 17/06

Relato minuto a minuto das manifestações de segunda-feira, dia 17/06/2013:

http://blogs.estadao.com.br/estadao-urgente/manifestantes-fazem-quinto-ato-contra-o-aumento-da-tarifa-de-onibus-em-sao-paulo/

Teotihuacan, o design da água

Atraves_1_1983_Martins_FontesUm texto bem especulativo de Décio Pignatari (1927-2012) sobre Teotihuacan (da qual já falei neste blog), publicado no número 1(1983) da revista Através — ainda na edição da Martins Fontes; depois este título passaria a sair pela Duas Cidades.

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Exemplos de respeito e de desrespeito ao pedestre

Primeiro, na foto abaixo, uma evidência de que há pessoas incrivelmente egoístas, que simplesmente se consideram (e ao seu carro) como o centro do mundo, demonstrando não ter a menor noção de que existem outras pessoas que usam calçada para aquilo que ela foi primordialmente feita — para andar.  (Santo André, SP)

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Abaixo, um detalhe. Pode-se pensar em andar a pé por um lugar assim? Mas é óbvio que ao(a) morador(a) isso nem passou pela cabeça. A foto é exemplar pela atitude de desprezo implícita: “O importante é que possa estacionar com conforto. Transeuntes? Pesssoas? Outros? Hem? Ora, lixem-se”.

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E agora, para compensar, um exemplo de respeito ao pedestre. Na foto abaixo, uma solução simples, nada cara, que facilita a vida de todo mundo e mostra que o convívio é possível. Gestos desse tipo contribuem para preservar a cidadania — e, como a gente sabe, justamente é nas coisas pequenas que ela se constrói e consolida. Este(a) morador(a) está de parabéns. (Também em Santo André, SP)

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Dia de los Muertos na Ciudad de México

O Dia de los Muertos no México (2 de novembro) começa a ser celebrado vários dias antes da adata oficial. No final de Outubro já pude ver a decoração pela Cidade do DF, nas lojas e por todos os lugares, com enfeites de papel e muitas caveirinhas e esqueletinhos.

Os pessoal leva o humor, a paródia e a ironia muito a sério. Mergulham no simbolismo de uma maneira muito peculiar — que nós de outras partes demoramos para começar a compreender. Eles também aproveitam para começar a celebrar cedo em eventos artísticos, gastronômicos, escolares, etc, como já comentei em um post anterior.

Eles se dão cartões como estes:

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Outros exemplos flagrados em diferentes partes da cidade:

Aqui, uma autêntica muerta fashion, em uma das lojas chiques da Avenida Álvaro Obregón…

As lojas, restaurantes, baladas e até a propaganda nos pontos de ônibus se valem o simbolismo associado aos mortos.

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Até o centro de convenções da universidade em que aconteceu o meu congresso estava enfeitado para o Dia de los muertos:

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Emoções urbanas

O simpósio Emoções urbanas: um simpósio sobre o estresse e a cidade (Urban Emotions: A Symposium on Stress and the City) acontece na semana que vem na School of Geography at Queen Mary, University of London, e visa promover uma reflexão, desde múltiplos pontos de vista, sobre as possíveis relações entre vida urbana e psicopatologia. A programação está disponível no site da universidade.

Fonte: Prof. Rhodri Hayward, via lista de divulgação MERSENNE.