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Calça rasgada de tanto cair e sapato furado de tanto andar

Um caro colega — físico teórico, professor, pesquisador, orientador em uma universidade federal — escreve sobre a sua visão das questões de mobilidade urbana, e compartilha, em seu blog, suas experiências e reflexões como pedestre e como usuário de transporte público na região metropolitana de São Paulo:

Calça rasgada de tanto cair e sapato furado de tanto andar – Crônicas de um deficiente usuário do transporte público da região metropolitana de São Paulo

http://andantecompolio.blogspot.com.br/

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O pedestre como objeto de modelos matemáticos

Quero destacar dois artigos e um livro sobre esse tema, de que tomei conhecimento recentemente — todos eles baseados em conjuntos de pressupostos teóricos bem diferentes:

(1) O artigo de Fridman & Kaminka, “Modeling pedestrian crowd behavior based
on a cognitive model of social comparison theory”
, publicado na revista Computational and Mathematical Organization Theory em 2010 (v. 16, n. 4, pp. 348-372) propõe um modelo matemático para o comportamento de aglomerações de pedestres baseado nos pressupostos da Teoria da Comparação Social de Festinger. [*]

(2) O artigo de Hui Xi, Young-Jun Son e Seungho Lee, “An integrated pedestrian behavior model based on extended decision field theory and social force model”, também de 2010, saiu nos Proceedings da 2010 Winter Simulation Conference, editados por B. Johansson et al e publicados pelo IEEE.

As referências bibliográficas de ambos os artigos são preciosas, e abrem uma porta de entrada para uma literatura surpreendentemente vasta e interessante.

(3) Finalmente, quero destacar um livro também recente, Pedestrian Behavior: Models, Data Collection and Applications, editado por Harry Timmermans (Bingley, UK: Emerald, 2009), cheio de artigos provocativos, como o de Schadschneider e Seyfried, que utiliza o paradigma dos autômatos celulares (algo que eu — formado nos anos 80, lendo Stephen Wolfram — pessoalmente adoro).

Estudar a mobilidade urbana e o pedestre situando-os como objetos de investigação científica e de modelagem matemática e computacional não deixa de ser uma abordagem no mínimo estimulante.

Em uma outra ocasião, espero postar algo sobre modelos matemáticos do trânsito.

[*] Vale lembrar que a outra célebre teoria de Festinger, a da Dissonância Cognitiva, recebeu uma reconstrução — na terminologia antiga, dir-se-ia que foi “axiomatizada”, mas o termo não é totalmente adequado aqui — nos moldes da metateoria estruturalista, por Rainer Westerman no volume editado por Balzer, Sneed & Moulines, Structuralist Theory of Science: Focal Issues, New Results.