Arquivo da categoria: Cidades

Raquel Rolnik: as manifestações e o direito à cidade

Comentário de Raquel Rolnik (já de há muito respeitada por este blog) sobre as manifestações:

http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/06/14/em-torno-do-direito-de-ir-e-vir-existe-dialogo-em-sp/#comments

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Dia 17/06

Relato minuto a minuto das manifestações de segunda-feira, dia 17/06/2013:

http://blogs.estadao.com.br/estadao-urgente/manifestantes-fazem-quinto-ato-contra-o-aumento-da-tarifa-de-onibus-em-sao-paulo/

Duas livrarias incríveis

Hoje eu gostaria de escrever (e também postar algumas fotos) sobre duas livrarias incríveis e muito especiais — cada uma em seu estilo — que tive o privilégio de conhecer: uma na Cidade do México e uma em Buenos Aires.

1 – Cafebrería El Péndulo – Cidade do México

Um verdadeiro paraíso. Para passar horas. Vários andares (parecem não ter fim), reunindo tudo que há de mais legal para nosotros: começando por uma livraria espetacular, sebo, café, loja de discos…

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… continuando com um restaurante super confortável (no alto), mais bar (tem excelentes mezcales e tequilas, e também serve ótimos tacos)…

… e mais: loja de discos, papelaria, revistaria e loja de presentes (que são aliás mais inteligentes, criativos e baratos do que em qualquer, digamos, Imaginarium da vida)…

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Aqui está o pêndulo propriamente dito — inspirado no pêndulo de Foucault — que dá nome ao lugar:

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Aliás, o café da manhã mais saboroso que tomei na vida foi aí, incluindo um “panqué” que era uma coisa do outro mundo.

Achei na El Péndulo uns discos difíceis de achar, de composições do mexicano Manuel Ponce (um dos meus preferidos entre os latinoamericanos do século XX), com o violonista Francisco Gil — sobre os quais pretendo escrever no meu outro blog Usina de Escuta:

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Na livraria, encontrei um Wittgenstein (a Gramática Filosófica, trad. de Luiz Felipe Segura, ed. bilíngue da UNAM), as obras completas de Sor Juana Inés de la Cruz (ed. pela Fondo de Cultura Económica) e mais alguns de Octavio Paz.

2 – Librería Alberto Casares – Buenos Aires

Todas as vezes que fui a Buenos Aires bati ponto aqui. Uma livraria digna de Borges. O silêncio e a quietude, o cheiro dos livros — que é um verdadeiro perfume — a luminosidade, a sensação de paz e isolamento do burburinho da rua estreita e movimentada (fica na Calle Suipacha 521)… Tudo isso nos transporta, de imediato, como que para um outro mundo.

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Tem raridades, primeiras edições, usados e, claro, livros novos. O próprio dono costuma nos atender, tratando a todos com a maior atenção. Também encontram-se mapas, gravuras e fotografias originais, e ainda partituras.

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Ali encontrei, por exemplo, várias edições diferentes de Cortázar e Borges (cada uma tem seu encanto), as Obras de Oliverio Girondo (ed. Losada), um raro Biología y medicina del siglo XIX, de Desiderio Papp e José Babini (Espasa Calpe, 1961), e a Historia de las ideas  en la Argentina – Diez lecciones iniciales, 1810-1980 de Oscar Terán, entre outros…

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Buenos Aires, como se sabe, é uma cidade fortíssima em livrarias. A concorrência é dura pelo coração de qualquer bibliófilo. Mas eu diria que gosto da Casares até mais do que da famosa El Ateneo, por exemplo…

Dia de los Muertos na Ciudad de México

O Dia de los Muertos no México (2 de novembro) começa a ser celebrado vários dias antes da adata oficial. No final de Outubro já pude ver a decoração pela Cidade do DF, nas lojas e por todos os lugares, com enfeites de papel e muitas caveirinhas e esqueletinhos.

Os pessoal leva o humor, a paródia e a ironia muito a sério. Mergulham no simbolismo de uma maneira muito peculiar — que nós de outras partes demoramos para começar a compreender. Eles também aproveitam para começar a celebrar cedo em eventos artísticos, gastronômicos, escolares, etc, como já comentei em um post anterior.

Eles se dão cartões como estes:

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Outros exemplos flagrados em diferentes partes da cidade:

Aqui, uma autêntica muerta fashion, em uma das lojas chiques da Avenida Álvaro Obregón…

As lojas, restaurantes, baladas e até a propaganda nos pontos de ônibus se valem o simbolismo associado aos mortos.

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Até o centro de convenções da universidade em que aconteceu o meu congresso estava enfeitado para o Dia de los muertos:

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Passeios na Cidade do México

Zócalo. No final de Outubro/2012 estava ocorrendo a Feria del Libro del Zócalo. O Zócalo é a região no centro histórico da Cidade do México onde estão as ruínas da capital asteca de Tenochtitlan, sobre as quais foi erigida a cidade moderna. Estas ruínas foram redecobertas a partir do final dos anos 70 do século XX. Porém o mais espetacular não foi a feira do livro!

Um fato singular e bem marcante que acontece regularmente no Zócalo é que os jovens, garotos e garotas, se reúnem à noite nas ruas próximas, provenientes de várias partes da cidade, e passam horas numa espécie de ‘jam’ executando as danças tradicionais, em rodas com números maiores ou menores de integrantes, com chocalhos nos tornozelos, numa velocidade vertiginosa, extenuante, e com um vigor extraordinário.

Os defumadores exalam incessantemente olores e vapores fortíssimos, a percussão pulsa fazendo tudo vibrar a centenas de metros, em um contraponto com o suingue dos chocalhos, e a dança prossegue inalterada, hipnótica, por horas, fazendo com que os participantes entrem num verdadeiro transe. É uma visão e tanto. Uma escuta e tanto. Depois de alguns minutos assistindo aquela máquina humana coordenada girando, até nós, espectadores, começamos a ficar meio zonzos…

Infelizmente, não consegui captar boas imagens, nem sabia como gravar áudio para tentar dar aqui uma idéia das potências telúricas que aquela garotada consegue conjurar de dentro das ruínas ancestrais…

Universidad del Claustro de Sor Juana Inés de la Cruz. Aqui, no dia 25/10, assisti a um concerto da dupla Mardonio Carballo (ator e textos) e Juan Pablo Villa (voz, objetos sonoros e loops eletrônicos). Foi um show extraordinário, que pegou a todos de surpresa, uma experiência sônica, poética e teatral absolutamente inesquecível. Escreverei com mais detalhe sobre esse concerto em breve no meu outro blog Usina de Escuta.

A Universidad del Claustro — onde nós (os participantes do congresso) fomos muitíssimo bem recebidos pela vice-reitora Sandra Lorenzano, irmã de um dos participantes do congresso — tem uma intensa programação cultural. E a universidade também mantém um restaurante-escola de gastronomia.

Na ocasião, houve a inauguração da cenografia relativa ao Dia de los Muertos, cheia de alusões bem-humoradas, homenagens e paródias, comidas tipicas (Pan de Muertos)…

As duas principais homenageadas, no centro, eram Sor Juana e a atriz Maria Félix:

As outras homenageadas eram:  Frida Kahlo, Rita Guerrero, Antonieta Rivas Mercado, Malinche o Malintzin, Chavela Vargas, La Güera Rodríguez, Josefa Ortiz de Domínguez, Pita Amor, María Sabina, Rosario Castellanos, Leonora Carrington e María Izquierdo.

Tanto o auditório quanto o pátio externo do Claustro estavam completamente lotados. É um lugar que normalmente já atrai muita gente, e com razão — e ainda mais numa festança daquelas.

Na mesma Universidad del Claustro, no pátio / jardim central, também assisti a uma performance de duas jovens atrizes, Minerva Hernández e Myriam Beutelspacher, intitulada “Empatia”.

Em breve: o Museu Nacional de Antropologia — e mais de Teotihuacan.

Galáxias no metrô

O metrô da Cidade do México é grande, comparado com o de São Paulo: tem 200km de extensão e, em combinação com o ótimo Metrobus, torna realmente fáceis muitos deslocamentos. Em uma das estações, La Raza, túneis longuíssimos fazem a conexão entre linhas — e o mais interessante: funcionam como espaço para exposições permanentes e temporárias, o chamado Tunel de la Ciencia. Nada mau fazer a sua transferência em meio a uma abóboda celeste simulada,  imagens da radiação de fundo de microondas, evolução estelar, colisões de galáxias…

A estação também tem um espaço mais convencional para abrigar exposições científicas de diversos tipos. No canto esquerdo da foto, aparece uma das atenciosas monitoras que recepcionam o público.