Arquivo mensal: janeiro 2013

Nova máquina de caminhar…

Finalmente estou com a minha nova máquina de caminhar pela cidade e pelas trilhas… Uma Salomon Wings Sky GTX:

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Apesar de muito leve, ela é muito estruturada e, por isso, protege o pé como uma couraça flexível. O cano é bem alto. Ela é extremamente estável e dá grande segurança — qualidades que valorizo muito para caminhar por terrenos irregulares, como as calçadas despedaçadas que encontramos em boa parte da Região Metropolitana de São Paulo.

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Em todo caso, a Wings Sky GTX — talvez justamente por ser muito robusta — parece-me ligeiramente menos sensível aos detalhes do terreno do que a minha Salomon anterior, a Misson GTX. Nisso, ela acaba lembrando alguns modelos da North Face.

Aos poucos, tenho verificado que ela se adapta bem à minha pisada, que é de tipo pronado. Em breve verei como ela se comporta em trilhas, mas tenho o palpite de que terá um bom desempenho também ali.

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O ciclista e o pedestre são “problemas” para os carros?!!?!!?

dsp_04É decepcionante — embora não chegue a ser supreendente — a forma pela qual grande parte da mídia e da sociedade ainda trata ciclistas e pedestres — isto é, como cidadãos de segunda classe, sem tirar nem pôr. Por exemplo, este destaque do Diário de São Paulo do dia 26/01/13 é de doer: segundo o jornal, as bicicletas “levaram o caos” à cidade…

Na matéria interna, há algumas fotos retratando ciclistas basicamente como seres pitorescos e exóticos, entremeados com texto que contém outros disparates, retratando a manifestação dos ciclistas como a grande culpada de congestionar o trânsito naquele dia.

Abaixo, a capa completa de edição:

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Em vez de ironizar os ciclistas, fazendo cavalo de batalha do tempo que eles obrigaram os carros a esperar — e ignorando o fato de que, diariamente, milhões de pessoas em SP têm sua mobilidade travada pelos veículos automotores — o Diário de S. Paulo perdeu uma oportunidade de ouro. Uma oportunidade de fazer uma matéria mais lúcida e inteligente, desconstruindo estereótipos e chamando a atenção para os problemas reais — em particular, para o fato de que vivemos em uma cidade conflagrada, irracional e truculenta no que tange ao direito à mobilidade.

Já ocorreu a toda essa gente que os carros é que constituem um grande problema para a circulação de pedestres e ciclistas?

Exemplos do desrespeito? São onipresentes. Com relação ao pedestre: basta caminhar a pé pela cidade, a qualquer dia, a qualquer hora. O que se vê é um verdadeiro show de horrores:

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As duas primeiras fotos acima foram tiradas em São Paulo, as outras em Santo André. Há muitas mais no meu arquivo — um triste retrato de como a Grande São Paulo e o ABC Paulista formam um ambiente hostil, no qual a cidadania é sistematicamente solapada, tanto no que respeita aos pedestres quanto aos ciclistas.

Nos mais de quatro anos em que tenho “teimado” em caminhar várias regiões da Grande SP, não me lembro de nenhuma caminhada — isso mesmo, nenhuma — não é apenas força de expressão — em que não tenha me deparado com alguma forma de desrespeito ao pedestre, por parte de carros e motos, seja nas calçadas, nas faixas de travessia, nas praças, nos shoppings…

Para que fique claro o paradigma que defendo (e não somente eu, mas também muita gente lúcida e civilizada):

A cidade e a rua pertencem ao pedestre; o pedestre concede ao carro o direito de utilizá-las, contanto que este respeite determinadas condições.

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O adesivo na bike acima resume tudo!

Duas livrarias incríveis

Hoje eu gostaria de escrever (e também postar algumas fotos) sobre duas livrarias incríveis e muito especiais — cada uma em seu estilo — que tive o privilégio de conhecer: uma na Cidade do México e uma em Buenos Aires.

1 – Cafebrería El Péndulo – Cidade do México

Um verdadeiro paraíso. Para passar horas. Vários andares (parecem não ter fim), reunindo tudo que há de mais legal para nosotros: começando por uma livraria espetacular, sebo, café, loja de discos…

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… continuando com um restaurante super confortável (no alto), mais bar (tem excelentes mezcales e tequilas, e também serve ótimos tacos)…

… e mais: loja de discos, papelaria, revistaria e loja de presentes (que são aliás mais inteligentes, criativos e baratos do que em qualquer, digamos, Imaginarium da vida)…

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Aqui está o pêndulo propriamente dito — inspirado no pêndulo de Foucault — que dá nome ao lugar:

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Aliás, o café da manhã mais saboroso que tomei na vida foi aí, incluindo um “panqué” que era uma coisa do outro mundo.

Achei na El Péndulo uns discos difíceis de achar, de composições do mexicano Manuel Ponce (um dos meus preferidos entre os latinoamericanos do século XX), com o violonista Francisco Gil — sobre os quais pretendo escrever no meu outro blog Usina de Escuta:

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Na livraria, encontrei um Wittgenstein (a Gramática Filosófica, trad. de Luiz Felipe Segura, ed. bilíngue da UNAM), as obras completas de Sor Juana Inés de la Cruz (ed. pela Fondo de Cultura Económica) e mais alguns de Octavio Paz.

2 – Librería Alberto Casares – Buenos Aires

Todas as vezes que fui a Buenos Aires bati ponto aqui. Uma livraria digna de Borges. O silêncio e a quietude, o cheiro dos livros — que é um verdadeiro perfume — a luminosidade, a sensação de paz e isolamento do burburinho da rua estreita e movimentada (fica na Calle Suipacha 521)… Tudo isso nos transporta, de imediato, como que para um outro mundo.

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Tem raridades, primeiras edições, usados e, claro, livros novos. O próprio dono costuma nos atender, tratando a todos com a maior atenção. Também encontram-se mapas, gravuras e fotografias originais, e ainda partituras.

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Ali encontrei, por exemplo, várias edições diferentes de Cortázar e Borges (cada uma tem seu encanto), as Obras de Oliverio Girondo (ed. Losada), um raro Biología y medicina del siglo XIX, de Desiderio Papp e José Babini (Espasa Calpe, 1961), e a Historia de las ideas  en la Argentina – Diez lecciones iniciales, 1810-1980 de Oscar Terán, entre outros…

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Buenos Aires, como se sabe, é uma cidade fortíssima em livrarias. A concorrência é dura pelo coração de qualquer bibliófilo. Mas eu diria que gosto da Casares até mais do que da famosa El Ateneo, por exemplo…

Duas telas de Escher… reais

De vez em quando, como se sabe, a vida imita a arte. Aqui estão dois singelos exemplos, capturados ao acaso. Primeiro, uma cena fotografada na obra ao lado de casa, em Santo André. Você nota alguma coisa estranha?

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Só para refrescar a memória, aqui está a famosa “Waterfall” de M. C. Escher:

M. C. Escher, "Waterfall", fonte:  wikipaintings

Segundo exemplo: aqui temos uma cena fotografada após a chuva, durante uma de minhas caminhadas, também em Sto. André:

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E aqui, para comparação, a obra de Escher, “Puddle”:

M. C. Escher, "Puddle", fonte: dana-mad.ru