Caminhada de uma vida: Pirâmides de Teotihuacan

Este é o primeiro post de uma série relativa às caminhadas e descobertas feitas durante a minha viagem ao México, na semana de Outubro de 2012, para um Congresso de Filosofia. Logo no dia seguinte à minha chegada, antes de começar o congresso, tratei de tirar o dia para visitar as famosas pirâmides de Teotihuacan. Os versos gravados na entrada da Sala 5 do Museu Nacional de Arqueologia captam o espírito do que lá se verá…

Ir até as pirâmides não é difícil. Fui de metrô desde o bairro em que estava localizado o hotel (entre Colonia Condesa e Colonia Roma) até a estação Autobuses del Norte, que fica junto ao gigantesco terminal rodoviário. Ali, encontrei o guichê da companhia Autobuses Teotihuacan e comprei a passagem de ida por 38,00 pesos mexicanos. Os ônibus saem a cada 15 minutos (e na volta também). Somando metrô e estrada, em uma hora estava na entrada do parque.

O ônibus de ida era uma lata velha, talvez não tão antigo quanto as pirâmides, mas quase… (Verdade seja dita, o ônibus da volta seria muitíssimo melhor.) Na ida, nada de ar condicionado (mesmo naquele tempo seco e quente), e parava em vários pontos para pegar passageiros. Poderia ser melhor, mas, enfim, tudo pelas pirâmides. Pegamos trânsito pesado para sair da cidade. Passando pelos limites da área metropolitana da Cidade do México, pode-se divisar muitas ocupações irregulares nas encostas dos morros.

O ingresso no parque custava 57,00 pesos mexicanos. Muitos vendedores ambulantes se distribuem ao longo de toda a área; os que ficam logo na entrada, no acesso para a Pirâmide do Sol,  são os mais insistentes. Se quiser comprar alguma lembrança, não compre logo de cara com os primeiros que se apresentam. Deixe para mais tarde (o melhor é deixar para o final) e, mesmo assim, pechinche.

Abaixo, detalhes do templo, ostentando várias instâncias de Quetzalcoatl, a serpente emplumada.

Não podemos deixar de nos extasiar com a magnificência do complexo, cujos primeiras edificaçõres datam do ano 200 a.C. A Pirâmide do Sol, que domina o conjunto, foi concluída por volta do ano 100 da nossa era, e a cidade de Teotihuacan atingiu o seu ápice por volta de 450 da nossa era.

Ao mesmo tempo, muitas perguntas nos intrigam: qual era exatamente o propósito daquele traçado urbanístico? E das plataformas elevadas? Que hierarquia, que estrutura social caracterizava a comunidade que ali viveu? Que eventos eram celebrados? Que extraordinário grau de poder devem ter possuído os sacerdotes e os governantes para mobilizar o imenso contigente humano, a vasta força de trabalho necessária para transformar em realidade o monumental projeto? Quantas vidas devem ter se perdido ao longo de todo o processo de construção? Finalmente, quanto sangue de sacrifícios humanos terá corrido por aquelas pedras? (Sabe-se que os teotihuacanos possuíam essa prática.)

Aqui está a grandiosa Pirâmide do Sol.

Aqui, outro ângulo da majestosa Pirâmide. Subir não é tão difícil: o que exige mais concentração é a descida.

O último lance de escada estava interditado.

Para quem se sentir menos seguro nos incontáveis degraus, existem corrimões.

A visão lá de cima. Embaixo, um grupo de dança começa a acender seus defumadores fortíssimos, cujo cheiro enche toda a área, e a se preparar para uma apresentação.

Da Pirâmide do Sol, olhando aproximadamente na direção Sudoeste.

Duas vistas do cimo da Pirâmide do Sol: a primeira, para Sudoeste; a segunda, na direção Noroeste, permite ver um longo trecho do Caminho dos Mortos.

Finalmente, a Pirâmide da Lua — que será tema para outro post — vista da Pirâmide do Sol, olhando para o Norte.

Pude ver muita gente que, longe de estar bem condicionada para a subida, esfalfava-se para chegar ao cimo, e depois ficava ali, ofegante, por longos minutos lá em cima. Mas como poderia alguém resistir à tentação? É uma chance única, a de galgar os degraus imemoriais.Vale o sacrifício. Vi algumas pessoas colocando “os bofes para fora”, mas felizmente, enquanto estive lá, não vi ninguém passar realmente mal.

Para concluir este post, o Sol visto do alto da Pirâmide do Sol. O mesmo Sol que, certamente, foi tantas vezes admirado e celebrado pelos povos ancestrais que palmilharam Teotihuacan.

Novos posts virão…

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Publicado em 5 novembro 2012, em Caminhadas, Lugares, Viagens. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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