Infográficos sobre São Paulo

O cara tem “as manha” de fazer infográfico, meu!

Veja todos os dez: http://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/graficos-para-entender-sao-paulo?bffbbrazil&utm_term=.awnXG5y3l#.lbk1xX6G7

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San Francisco vs. New York

Duas grandes cidades, duas personalidades distintas.

http://www.huffingtonpost.com/sarah-cooper/the-difference-between-living-in-new-york-and-san-francisco_b_7184874.html

Cidades são para perder-se

Rota em GentEste texto de Stephanie Rosenbloom para o NYT levanta um ponto interessante e válido. De fato, cidades são (também) feitas para perder-se, e esta é, de fato, uma arte esquecida ultimamente. Possuo afinidade com o ponto de vista da autora, tanto no seu contexto original quanto transportado para um outro.

Primeiro, quando viajo para outra cidade, especialmente se for em outro país, não gosto de roteiros nem excursões: parecem-me limitadores, uniformizadores e opressivos. Alguém se arroga o direito de decidir o que você deve ver, do que você deve gostar, como se deve deslocar. Transforma o viajante num mero ponto estatístico, confortavelmente alojado junto com outros pontinhos numa dispersão próxima ao redor de um valor médio — “médio” significando, muitas vezes, medíocre. (Isso pode mudar de figura, é claro, até por uma questão de segurança e prudência, quando você faz uma viagem para uma região inóspita e desconhecida, não-urbana, como uma trilha na mata, uma montanha, reserva natural, ou trajeto de lancha, etc. Andar por ali sem um guia seria brincar com a sorte.)

De minha parte, só costumo levar o mapa (ou ligo o mapa do celular) para me ajudar a encontrar o caminho de volta para o hotel. Fora isso, os verdadeiros tesouros que deparamos ao vagar livremente, e que assumem real significado para cada um de nós vagantes — embora talvez não correspondam à “média” — mais do que fazem valer a pena os desvios e volteios sobre os próprios passos.

Em segundo lugar, nas inumeráveis caminhadas por São Paulo, descobri igualmente inumeráveis lugares que jamais teria conhecido se me restringisse ao GPS ou ao Waze, ou então ao carro — que tem o efeito de transformar a cidade em que vivemos (note-se: a cidade em que vivemos!) em um mero complexo viário imenso, um simples corredor de passagem, um amontoado de edificações ao redor das avenidas. As avenidas, afinal, parecem ser hoje em dia “o que realmente importa” para nos deslocarmos — não mais nos deslocarmos de A para B, como acontecia ao longo dos milênios em que a espécie humana já viveu sobre a terra, mas sim, agora, do estacionamento em A até o estacionamento em B…

Especulações sobre a modelagem da mobilidade

A mobilidade está repleta de desigualdade. Parece plausível conceber uma modelagem socioeconômica da mobilidade urbana. O artigo recente da The Atlantic sobre a tarifa zero (tema já bastante familiar — ou pelo menos, não desconhecido — de uma parcela da população brasileira) toca em alguns aspectos do tema. Inspirado pela leitura do artigo, numa especulação rápida, alguns dos postulados de tal teoria poderiam ser, em linhas gerais:

(a) O espaço urbano possui uma métrica altamente não-euclidiana. Ele é cheio de potenciais repulsivos e atrativos, i.e. campos que deformam sua métrica.
(b) Os pontos nos quais se distribuem os habitantes também não são determinados aleatoriamente nem por livre escolha, mas são condicionados por essa geometria do espaço.
(c) De maneira geral, há uma correlação e um ‘bias’ sistêmico: um parâmetro — chamemos de D — que é uma medida da dificuldade de movimentação pelo espaço, entre x e y, sendo uma função aproximadamente monotônica

D (x, y) = D(dm, da, dtm) (x, y),

onde dm = distância média dos deslocamentos típicos, da = dificuldade de acesso (i.e. rarefação das rotas, escassez de modais) e dtm = desconforto dos meios de transporte.

D, por sua vez, é inversamente proporcional a uma função

g(r, es)

onde r = renda, es = estrato socioeconômico.

Ninguém escolhe levar uma, duas, três ou quatro horas para se deslocar da casa para o trabalho. É obrigado(a) a isso. Há uma correlação inversa entre a distância ‘efetiva’ d (c, y) até as centralidades c e a renda (d D 1/g), e o tempo de deslocamento acrescenta ainda mais um fator multiplicativo (a) à primeira: t = a . d (c, y). (Em geral, quanto mais longo o deslocamento, também ainda mais lento e árduo, resultando em um tempo ainda maior.)

Claro, há também “bacias de atração” espalhadas pela cidade, onde a distância casa-trabalho é menor, mesmo nas regiões periféricas, e a mobilidade resulta mais fácil.

Contudo, a sociedade e a política urbanas evoluem de maneira tão insana que a correlação geral também não se mantém. Essa correlação, expressa de forma geral por a, D e g, está sujeita a termos perturbativos de forma complicada — chamemo-los coletivamente de O — que seriam uma função da densidade de veículos m:

O = O(m).

Então,

d (x, y) = a . d + O(m), com d D 1/g

O, por sua vez, está também associada à renda r: à medida que a frota de veículos se adensa, especialmente nas regiões mais abastadas, o deslocamento fica mais difícil.

A forma precisa das funções D, g e O, presumivelmente, há de ser bastante irregular.

O resultado é que a distância d(x, y) entre dois pontos x e y na cidade é uma função completamente maluca de D, g e O. Ainda que haja uma dificuldade crescente de mobilidade nas regiões mais distantes das centralidades, há bolsões de atração (mesmo nas regiões de menor renda) e bolsões de repulsão (pautados pelos termos-O) (mesmo nas regiões de maior renda).

Parece quase desnecessário acentuar que transporte público de massa sobre trilhos tende a “re-euclidializar” o espaço urbano, constituindo a mais espetacularmente eficaz ação em prol da mobilidade.

Artistas e a cidade

Compartilho aqui no blog alguns exemplos interessantes e bonitos de telas que, pelas mãos de dois artistas, Margaret Dyer e Tony Allain (ambos estão no facebook), utilizando a mesma técnica (o pastel), exploram o tema da cidade contemporânea:

Margaret Dyer – 1:

Margaret Dyer – 2:

Margaret Dyer – 3:

Tony Allain – 1:

Tony Allain – 2:

Tony Allain – 3:

Uma caminhada quaterniônica

Entre os benefícios de uma boa caminhada pode estar até mesmo… uma grande descoberta matemática, como os quaternions de Sir William Rowan Hamilton — que depois se desdobrariam nos octonions de John Graves — cujas aplicações na matemática e na física estão longe de se esgotar!

Dois textos registrando uma entrevista que Helen Joyce fez com o físico-matemático John Baez para a revista Plus Magazine – Living Mathematics explicam as propriedades dessas estruturas matemáticas intrigantes e belíssimas: Parte 1 – “Curious quaternions” | Parte 2 – “Ubiquitous octonions”.

Aqui, um passeio fotográfico pela histórica ponte onde a descoberta ocorreu a Hamilton, a Brougham Bridge, em Dublin.

São Paulo e Buenos Aires, a comparação

Aqui, destacamos a versão “Cone Sul”, criada por Vivian Mota, daquele outro exercício feito por Muratyan sobre Paris e New York, objeto do post anterior. Esta versão, movida pela eterna (e carinhosamente cultivada) rivalidade BRA/ARG, é graficamente mais minimalista, fazendo alguns trocadilhos visuais. Parece menos pretensiosa e “moderna” também. Podemos não concordar com todos os paralelos e/ou contrastes propostos pela designer, mas, de todo modo, é outro exercício bem divertido.

Confira a íntegra do ensaio aqui.

Paris e New York — a comparação

Paris versus New York: a tally of two cities. Criado por Vahram Muratyan, este blog/livro é certamente perspicaz e bem realizado. No entanto, ele apresenta um olhar um tanto pretensioso e afetado, decididamente ajustado para agradar aos “modernos”, e excessivamente orientado para temas de moda. Mas é divertido mesmo assim. Vale uma olhada atenta para tentar ‘pescar’ as conexões e as ironias, às vezes não tão óbvias.

Confira a íntegra aqui.

The Bus

As situações surrealistas, a quase total ausência de texto, o humor sutil, o traço de inspiração setentista e a onipresente imagem do ônibus, tudo isso nesses verdadeiros hai-kais visuais — ou, se quisermos, estes curtíssimas-metragens-feitos-quadrinhos — de Paul Kirchner na série “The Bus”.

O ar irrespirável que respiramos

A qualidade do ar na Região Metropolitana de São Paulo e, mais especificamente, na região do ABC Paulista, tem estado assustadora nos últimos tempos, especialmente neste inverno. Só de pensar que respiramos essa estranha mistura gasosa, cheia de tóxicos e contaminantes, e de cambulhada com uma montanha de material particulado, é de dar arrepios.

Primeiro, três fotos tiradas hoje, dia 17 de Julho de 2013:

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Agora, quatro fotos simplesmente terrificantes, tiradas no dia 6 de Junho p.p. Assim como as fotos acima, também tiradas de um ponto de observação em Santo André, olhando aproximadamente na direção de São Caetano e de São Paulo. Observe a espessura e a densidade da camada de poluição, de cor cinzenta.

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O resultado? Sobejamente conhecido. Falta de ar, variadas alerigas, rinites e outras doenças respiratórias, pronto-socorros cheios, gastos com medicamentos antialérgicos (e seus efeitos colaterais na saúde das pessoas), piora na qualidade de vida, restrições de horários e de mobilidade urbana — afetando especialmente, mas não só, as crianças…

As causas? Também conhecidas de sobra: décadas de industrialização descontrolada, sem regulamentação; a opção devastadora pelo transporte motorizado individual; fiscalização ambiental e inspeção veicular ineficazes; um rodízio insuficiente; urbanização sem planos diretores à altura das necessidades da cidade — ou, quando houve planos diretores, sua redução a letra morta, sujeitos que estão sempre a pressões de setores variados, tornando-se cheios de exceções, brechas e omissões…